quarta-feira, 30 de junho de 2010

Apesar de tudo: muito leve.



FAZER DA CLAUSTROFOBIA VERTIGEM


Só para sua informação, Peter uma vez perguntou a Misty se ela sabia por que gostava da arte que gostava. Por que uma cena de batalha tão terrível como a Guernica de Picasso podia ser bonita, enquanto um quadro de dois unicórnios se beijando em um jardim florido podia ser uma bosta.

Será que alguém realmente sabe por que gosta de alguma coisa?

Por que as pessoas fazem qualquer coisa?

chuck palahniuk

Música é poesia com ritmo e por mais que eu goste de rap é muita burrice achar que só esse estilo musical é assim. É por isso que música é a arte mais legal. É a mais intuitiva e sim, intuição é o que mais importa para a arte, assim como é o que mais importa para a vida: como se isso não bastasse. Engraçado eu pensar nisso agora, que só vejo madeira em cada lado e que já sou cadáver. Tão cadáver quanto qualquer corpo soterrado em qualquer cemitério ou aterro. Tão cadáver quanto qualquer pensamento de rebanho, quanto qualquer concordância coletiva, qualquer comportamento de gado. Pra uma ex-pessoa, até que eu estou cheio de devaneios, todos inúteis, embora bem intencionados e mais uma vez inúteis. Embora bem intencionados e mais uma inúteis novamente. Ser cadáver é uma contradição em si só, acho que não preciso explicar essa minha última frase, acho que é uma contradição bem besta até. Besta como a claustrofobia que eu sempre tive e que mesmo agora continuo tendo. Talvez eu ser um cadáver não seja uma contradição tão besta assim. Sempre tive medo de andar por um túnel estranho escuro e estreito, desses de terra marrom, desses que presidiário usa pra escapar da cadeia, desses que malandro usa pra assaltar banco. Pra mim, o meu caixão é como um túnel desses, só que com começo meio e fim todos bem perto um do outro: da distância exata entre a minha cabeça e o meu pé. Meu caixão, minha cabeça, meu pé...continuo com conceitos tão humanos, talvez eu ainda seja um deles, um desses. Se pelo menos eu pudesse mexer o braço e coçar essa coceira no cabelo eu teria certeza de alguma coisa. A pior coisa é essa...saber que o caixão é até espaçoso, tendo em vista que em cima dele é só terra preta, molhada, espessa e escura, como a dos túneis de fuga de presídio. Não quero parecer mimado, mas vou repetir que incomoda mesmo. A coceira no cabelo...a perna esquerda formigando, a vontade de espirrar, a ferida aberta no cotovelo que ainda arde, a larva que rasteja e percorre o meu ombro até minha testa, com a pressa de um monge. Não quero parecer mimado. Tento buscar memórias que façam com que pelo menos meu cérebro consiga se espreguiçar. Mas o que vem são apenas imagens, fotografias: a vista da varanda do trigésimo primeiro andar que eu fui uma vez nas férias, de olhar pra baixo lá de cima do avião, da vontade de vomitar que tudo isso sempre me deu. Mas eis que, depois de muito esforço, eu começo a lembrar, de verdade, de algumas coisas da época que o ar ventava. Lembro da minha família toda em cima da montanha, do piquenique, dos primos correndo, do ar ventando, do cotovelo ardendo e eu nem me importando. Lembro de chegar perto do desfiladeiro. Lembro do da voz dos meus primos atrás de mim, lembro de olhar pro horizonte, de dar um sorriso quando vi o tamanho do horizonte e da felicidade de constatar que era por causa de paisagens que nem aquela que os pássaros voavam. Lembro de olhar abaixo do horizonte, das pernas traquejando, de como o imenso rio parecia ridículo e raso, de como tudo era pequeno e parecia querer me puxar pra baixo. Lembro das vozes dos meus primos se transformando em berros. Lembro do cotovelo ardendo e eu nem me importando.

quinta-feira, 22 de abril de 2010

Mininu Robben


Primeiro, uma certa hilariedade estranha e irresistível se apodera de você. As palavras mais comuns, as ideias mais simples tomam uma fisionomia bizarra e nova. Nem você aguenta essa alegria, mas é inútil resistir. O demônio já o invadiu; qualquer esforço que fizer para resistir só servirá para acelerar os progressos do mal. Você ri de sua bobagem e de sua loucura; seus companheiros riem de você e você nem se importa pois a benevolência já começou a se manifestar.

Charles Baudelaire

quarta-feira, 17 de março de 2010

terça-feira, 23 de fevereiro de 2010

That's not where it's at, yet, brotha

frak zappa preto? rapper dos anos 60?
clique nas musquinhas e faça sua mente.





sábado, 16 de janeiro de 2010

viddy well little brother


Artes inspiradas nos filmes de Kubrick. é só respirar e clicar.

sexta-feira, 8 de janeiro de 2010

a fúria do ateu ressucitado



UNIVERSO É MINORIA



O estado degringolado do Universo não é de hoje. Nem de ontem: é de amanhã. Como uma guerra: que aconteça na praia do mar mais verde, com apenas as imensas palmeiras como únicas testemunhas e vítimas das bombas e torpedos que dilaceram o vácuo e o vento, os dois ao mesmo tempo. Que um avião não tripulado mergulhe no oceano ao meio dia da praia mais popular da república mais tropical e abafada. Que de uma hora pra outra todas as ondas invertam seu sentido e, só depois dos festejos, rojões, berros e rolhas estouradas, os foliões percebam que o oceano continuou igualmente atlântico, pacífico e, com sorte, um pouco mais índico. Que a gravidade inexista uma vez por dia, todos os dias: primeiro por um segundo diário, depois por dois, depois por quatro, depois por cinco, depois por dez, depois por onze e assim por diante, até que a graça seja ver o abajur parado e os corpos absolutamente colados ao chão. Que a velocidade do tempo seja móvel e maleável como as argilas, e que essa velocidade seja individual e proporcional a prioridade de cada ser humano: que o tempo esteja subjugado a outras propriedades, como a própria prosperidade: individual e, posterior e consequentemente, coletiva.

sábado, 19 de dezembro de 2009

e até pra existir você tem que morrer



o surpreendente é sempre o mais provável